segunda-feira, 28 de maio de 2012

Maquetes Eletrônicas com Cinema 4D

     Pra você que já entra aqui há um tempo ou simplesmente achou este blog por conta do título do post, vou fazer uma apresentação mais formal. Meu nome é Arnaldo Moraes. Isso mesmo. Há quem só me conheça por Júnior e confesso preferir que me chamem assim, mas em se tratando de negócios, costumo usar o nome que o meu pai me deu para dar mais credibilidade e seriedade à coisa toda. Prova disso é a minha reação quando atendo uma chamada telefônica. Se do outro lado da linha a voz fala: "Arnaldo Moraes?", logo minha entonação muda para algo mais grave: "Pois não!". Agora se a voz fala: "Júnior?", fatalmente solto um: "E aí, brother?", ou se for a minha fofinha solto um: "oi fofinha!". (Infelizmente até o fechamento deste post ninguém me ligou chamando pelo codinome "Individual" o que demonstraria interesse na minha música...sonhar não custa nada).

     Bom, era só questão de tempo pra que eu pudesse utilizar este espaço e divulgar uma parte do meu trabalho (mais conhecida como "atividade-que-paga-as-contas"). Sou formado em Design de Interiores, pelo CEFET-PB, hoje IFPB. Curso superior tecnológico com duração mínima de 3 anos (mínima mesmo, já que as greves do percurso e a monografia caprichada me renderam mais 2 anos de labuta). Em pleno desenvolvimento na época, o curso se mostrou rico em vertentes. Contrariando o que muita gente (desinformada) pensa, Design de Interiores está longe de se resumir à decoração. Na verdade abomino essa palavra. Não sou um decorador. Projeto ambientes. Conheço os meus clientes, entrevisto-os, utilizo a psicologia para absorver seus anseios e me transporto para o seu dia a dia.  Ao me ver vivendo nas suas casas, ou trabalhando nos seus escritórios, por exemplo, acabo por propor soluções inteligentes para que suas atividades possam ser feitas da forma mais otimizada e prazerosa possível. Para tanto temos conhecimento técnico de ergonomia, conforto térmico e acústico, iluminação, reforma, materiais construtivos e por fim temos aquele toque pessoal que vai fazer bem aos olhos, o chamado bom gosto. Vale lembrar que este último não necessita de um curso de 5 anos para se ter. Geralmente você já nasce com ele. 


     Por essas e outras que acabei me bandeando para a área Virtual, ou melhor dizendo, as Maquetes Virtuais, conhecidas vulgarmente por Maquetes Eletrônicas. Através dessas ferramentas fantásticas posso tornar realidade, mesmo que virtual, aqueles projetos que estão na minha cabeça e melhor ainda,  mostrar essas imagens, ou animações para os clientes e detonar de uma vez por todas aquele muro gigantesco que separa o profissional do leigo, deixando de lado termos técnicos e representações gráficas que só fazem sentido para aqueles que sentaram a bunda numa prancheta e queimaram neurônios tentando posicionar réguas paralelas numa folha de papel manteiga. Quando percebi que era possível criar objetos, ambientes, cidades e até mesmo mundos através do computador, tive certeza que esse seria o caminho a seguir. Finalmente havia encontrado um lugar onde poderia unir minhas habilidades artísticas e técnicas dentro daquele curso que com muita garra consegui terminar. Jornalismo e Publicidade, see you later...!

Modelando a minha logo no Cinema 4D
     Após grandes experiências com o AutoCAD 3D, um plug-in chamado Accurender e muitas horas de renderização em PC's com 256 mega de RAM (inacreditável mas era assim antigamente), fui introduzido no universo do 3D profissional. Conheci o grande Antonio Farias, Arquiteto e Urbanista (artista também) que me acolheu em seu escritório para um período de treinamento com o então desconhecido Cinema 4D. De aluno acabei me tornando professor e aquele programinha alemão, de nome interessante se mostrou uma baita de uma ferramenta. A facilidade em manuseá-lo, a interatividade e o resultado quase que imediato e satisfatório me tornaram um entusiasta. Hoje com pelo menos 6 anos de experiência na área e mais ou menos uns 4 anos utilizando o Cinema 4D como principal programa de modelagem e renderização, ainda me surpreendo com suas ferramentas e com o seu universo que ainda há muito a se explorar.

Imagem final após processo de render

Modelo virtual  da imagem acima
     As imagens deste post fazem parte do meu portfólio e apenas lançam uma luz ao que é possível fazer com algumas horas de dedicação. Não tenho o objetivo de comparar plataformas, até porque a minha experiência diz que não há programa melhor ou pior, há simplesmente profissionais empenhados ou preguiçosos. A sua capacidade será notada em qualquer lugar, independente da ferramenta. 











Representação de um banheiro social em desenho técnico


Imagem renderizada do banheiro acima. Qual você prefere na hora de apresentar o seu projeto ao cliente que acredita ser Planta Baixa aquela erva daninha que nasceu no meio fio próximo à garagem?





     E finalmente a você que se interessou pelo meu trabalho, posso ajudá-lo a transformar em realidade virtual sua ideia e gerar um material rico, seja qual for o objetivo.

Entre em contato!

E-mail: jotaoriginal@hotmail.com



quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

Andar de ônibus é bom

     Fazia um bom tempo que eu não andava de ônibus. Na verdade, desde quando tive meu primeiro automóvel, em meados de 2008, andar em coletivos se tornou uma atividade bastante rara pra mim. No final do ano passado conquistei o meu primeiro carro zero e que sensação boa é sair da concessionária num bólido virgem. Aquele cheiro de carro novo e o som do motor urrando ao ser violado com fortes estocadas no pedal direito é algo que revigora a alma (!). E não se engane, a sensação pode sim ser equiparada a uma experiência sexual. Talvez pareça exagero para você mulher, mas para nós homens, que quando crianças   balbuciamos o "vruuuum" antes mesmo de pronunciar qualquer palavra, o negócio é sério. Entenda, você ainda é a razão de nossas existências, mas por favor, não nos faça escolher.
     Voltando ao assunto, resolvi deixar meu carro na equipadora para a instalação de uns acessórios. Levo o carango cedinho a fim de agilizar o serviço e ainda assim o mecânico informa que o mesmo só terminará no meio da tarde. Sem mais, vou lá andar algumas léguas quadras a fim de me dirigir ao ponto de ônibus mais próximo. Eram cerca de 7:40 de uma manhã chuvosa em João Pessoa - PB. Nem me lembrei que essa é a hora do "rush", quando estudantes e trabalhadores utilizam o meio de transporte para chegar em seus destinos. Eu mesmo fiz isso durante toda a minha vida escolar e universitária, mas acredite: alguns anos andando apenas de carro faz você perder o jeito de como é o tal do busão. Lá estava eu, todo faceiro de bermuda e sandália de dedo (erro fatal) subindo no monstro de metal e pagando minha passagem para o inferno ônibus da linha 511 Tambaú. Passei pela roleta e pronto. Parei ali mesmo. Não havia mais espaço no ônibus pra mim. Foi no vão que compreende o final da roleta e o minusculo corredor que dá acesso ao resto do ônibus, que fiz a viagem do centro da cidade até o bairro onde resido, próximo ao litoral. Tudo graças à quantidade absurda de passageiros contidos na tal caixa de metal sobre rodas. Foi neste pequeno espaço que eu, um cara de 1,86 m de altura, me equilibrei com uma das mãos na janela (já que não há barras de apoio no teto nesta parte do ônibus) e a outra na carteira, a fim de evitar que a mesma sumisse "misteriosamente" durante a viagem. Cada pessoa que entrava no ônibus (por que o motorista insistia em abrir aquela porta a cada parada, hein?) fazia a roleta girar e lá estava eu a me contorcer para abrir passagem. A imagem logo abaixo mostra melhor qual era a minha situação, mas o impossível era possível. Custava um dedo do meu pé cada vez que ocorria, mas eu conseguia. Para cada 1 ou 2 pessoas que desciam nas paradas, haviam 3 ou 4 (às vezes 5) subindo. Na metade do percurso, já não aguentava mais e comecei a utilizar meu poder de persuasão e encarar aquelas almas que ameaçavam entrar no ônibus lotado. Confesso que consegui espantar algumas com meu olhar de ódio (ou tristeza).

Eu me espremendo entre os outros passageiros dentro do ônibus

     Fiquei com o corpo dormente, mais precisamente o ombro direito e a nádega direita. Era o momento ideal para lembrar que Deus existe, ponderar a vida, reavaliar a dimensão dos meus problemas e pensar na ex-namorada...até que um certo conforto é atingido ao lembrar com carinho do meu carrinho novo. Dos engarrafamentos dentro dele, onde pelo menos minha bunda descansa confortável. Percebi que quase toda conquista da minha vida foi suada. Há um sabor especial na conquista sofrida e havia percebido que pegar meu carrinho equipado custaria aquela viagem. Quando já estava agradecendo à Deus as intermináveis prestações do financiamento eis que a multidão se esvai e finalmente posso me acomodar num assento.
     Respirei fundo e cheguei à conclusão de que andar de ônibus é bom. Sim, é bom para:

Pagar os pecados;
Testar os limites do corpo;
Ficar por dentro dos sucessos da música popular brasileira;
Lembrar que temos dedos nos pés;
Imaginar que desodorante poderia ser fornecido de graça junto com as camisinhas pelo governo federal;

     Cheguei em casa, esperei algumas horas e liguei pra equipadora. Meu carro estava pronto. Tomei um banho, me vesti (calcei sapatos desta vez) e fui encarar mais uma vez a viagem de coletivo. Pra minha sorte já se passavam das 15:00 e o difícil horário das 14:00 já havia passado. Sossego. Escolhi um belo assento na janela, senti o ar no rosto e aproveitei o passeio. Pude contemplar prédios em sua plenitude, coisa que não consigo fazer ao volante. Pensei bastante na vida e até compus uma nova canção. Havia esquecido que era exatamente isso que eu fazia em meus tempos de estudante. Observava o mundo, as pessoas e a mim mesmo. As intermináveis viagens de ônibus me inspirava, bastava pegar um bom lugar e torcer pra gaiola não lotar. Desci com uma real vontade: deixar o carango em casa pelo menos uma vez por semana e fazer o percurso até o trabalho na "coletividade do coletivo".
     Sigo até a equipadora, avisto o meu brinquedo que parece sorrir ao perceber a presença do dono. Sento no banco macio, sinto seu cheiro de novo, ligo o novo som e sigo viagem. São quase 18:00 e começa uma chuva torrencial. Logo o trânsito vira um caos. Um ônibus lotado passa ao meu lado quase arrancando um dos meus espelhos retrovisores. Pensando bem, acho que farei a tal viagem de coletivo mensalmente...ou melhor, quando houver uma emergência...

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Resenha - Cinema (Missão: Impossível 4 - Protocolo Fantasma)

Tom Cruise: surtado ou não merece atenção

Pôster de Missão: Impossível 4 - Protocolo Fantasma
     O público norte-americano é um tanto ingrato, o brasileiro também é, mas por aquelas bandas qualquer deslize que uma estrela cometa, por mais ínfimo que seja, é motivo de crucificação e decadência. Tom Cruise, é um deles. Tudo bem que o cara surtou na tal da Cientologia e quase esganou a Oprah Winfrey num ataque de empolgação por estar, segundo ele, apaixonado. De lá pra cá seus filmes não causaram tanto impacto como no passado e paralelo a isso o que se viu e se vê é uma legião de "haters" ou odiadores torcendo para o fracasso do cara sem nenhum motivo aparente.
     Foi assim que acompanhei os rumores do seu mais novo filme, a continuação da franquia de sucesso Missão: Impossível. Internautas alegando que o cara precisa de bengala, que não convence ninguém em um papel de ação, que é um péssimo ator e por aí vai. Bom, você pode até ter uma birra com o cara por ele ser um ícone da beleza no cinema e fazer as mulheres suspirarem cada vez que o narigudo aparece em cena, mas por favor, afirmar que o cara está velho, que não aguenta um filme de ação e que é um péssimo ator? Pegou pesado, hein? Beirando os 50 anos o cara esbanja vitalidade. Por ser uma pessoa exagerada, (ou surtado, como queira) isso acaba sendo muito positivo em suas atuações. Tom Cruise é um ator que realmente se entrega aos papéis e em filmes de ação acaba topando tudo e dispensando dublês em cenas de perigo, o que para uma estrela do naipe dele é algo digno de atenção.


Missão: Impossível - Uma franquia de sucesso

     O primeiro Missão: Impossível (Mission: Impossible, 1996), dirigido pelo aclamado Brian De Palma era uma adaptação para o cinema de uma famosa série de mesmo nome dos anos 60 (isso explica aquela música tema um tanto destoante que é a marca registrada dos longas). Ethan Hunt (Cruise) é um espião que trabalha para a IMF (Impossible Mission Force) e se vê sozinho com sua equipe para desvendar uma conspiração interna. O filme tinha um clima interessante de espionagem e cenas inesquecíveis como a invasão de Hunt numa sala de segurança máxima sensível ao som, ao toque, à temperatura e se brincar até à odores fétidos. Outra cena memorável era a do trem bala, muito bem filmada e crível. Fomos apresentados aqui às traquitanas, ou parafernalhas tecnológicas bastante criativas da IMF, como por exemplo as famigeradas máscaras e a goma de mascar explosiva.

     Missão: Impossível 2 (Mission: Impossible 2, 2000), dessa vez dirigido por John Woo, o mago dos filmes de ação ( e que tem como marcas registradas o abuso da câmera lenta e os pombos!?). Agora, coberto de expectativa, o público lotou os cinemas do mundo todo pra conferir a nova aventura de Hunt e cia. Cenas de ação alucinantes, mas um roteiro anos luz distante do primeiro filme. Muito se comentou sobre a mudança de rumo de espionagem para um filme de ação raso.

     Missão: Impossível 3 (Mission: Impossible 3, 2006), estreou no auge do surto do Tom, porém, a escolha de um belo elenco, tendo como vilão o ótimo Philip Seymour Hoffman, e a precisa direção do brilhante JJ Abrams, criador das séries Alias e Lost fez deste, na minha opinião, o melhor dos M:I. Só descartaria aquele final digno de novela das 6, algo que com certeza deve ter vindo da mente do próprio Tom, então recém casado com a Katie Holmes ( a eterna Joey do seriado Dawson's Creek).


E pra quem pensava que seria uma trilogia...

Simon Pegg como Benji - humor na medida certa
     Passados quase 6 anos, é anunciado Missão Impossível 4 - Protocolo Fantasma (Mission: Impossible 4 - Ghost Protocol, 2011), dirigido por Brad Bird, diretor de animações de sucesso como Ratatouille e Os Incríveis que faz sua estréia em um filme de atores reais. Ousadia, hein? JJ Abrams ainda estava ali, desta vez como produtor, o que apontava pra algo interessante. Fui ao cinema bastante empolgado e o que tive em troca? Um puta filme de ação. Entretenimento puro. O enredo não é lá essas coisas, na verdade chega a ser tão infantil quanto o do 2. Vilão malvado. Guerra nuclear. Ethan e cia acusados de fazer um atentado. Todos contra Ethan e sua equipe. Ethan e sua equipe sem suporte, sozinhos para enfrentar tudo e salvar o dia (que na vida dos que fazem parte da IMF significa salvar o mundo). Soa raso, hein? Mas a execução do longa encobre essa deficiência. Brad Bird merece aplausos pela sua estreia no cinema live-action. As cenas de ação são (de verdade) de tirar o fôlego. Me flagrei várias vezes com a boca aberta. Torci pelo sucesso do Hunt. E xinguei o vilão. Sabe aquele filme de ação que você via quando pirralho e quando acabava dava vontade de sair quebrando a cara de alguém, escalar prédios, atirar em tudo o que se movia? Me senti assim!

Ethan (Tom Cruise) escalando o prédio mais alto do mundo - sem dublês

Imersão total

     Que cena é aquela do Ethan escalando o Burj Khalifa em Dubai? Já tinha visto o trailer e achado demais, mas no filme a coisa é levada a uma outra proporção. Cenas como essa te dão a certeza de que o filme deve ser visto na tela grande, talvez mais de uma vez (meu caso) e se possível em IMAX. Sinceramente, ainda bem que o longa não foi filmado ou convertido para 3D. Vamos lá, né? 3D é legal e tal, mas precisa ser usado com mais cautela. Não há a mínima necessidade de se usar um óculos incômodo pra sentir um baita frio na barriga ao ver o Ethan contemplando Dubai do alto do prédio mais alto do mundo. A imersão é alcançada sem entraves.

Jeremy Renner na pele do agente William Brandt 

      Além das já citadas cenas espetaculares de ação, temos o humor em doses maiores. E numa medida muito acertada. O ator Simon Pegg, que reprisa seu papel como Benji, catalisa muito bem essa parte cômica do longa. Já a espiã da vez é encarnada pela morenaça Paula Patton, com seu semblante sempre preocupado e porte de poucos amigos. Destaque também para a boa atuação de Jeremy Renner, num personagem profundo e cheio de importância para a trama. O clima de humor ainda nos rende ótimas passagens como a mensagem secreta auto-destrutiva que não se destrói e a possibilidade inédita de ver um Ethan hesitante ao pensar várias vezes antes de realizar um perigoso salto. E pra manter a tradição, lá estão as traquitanas da IMF, com invenções sempre muito inteligentes e até possíveis de se tornar realidade. Detalhe para a cena em que Ethan e Benji utilizam um dispositivo que gera imagens renderizadas em tempo real. Inteligentíssima e hilária ao mesmo tempo.

Paula Patton como a agente Jane Carter - muita areia, hein Hunt?

      E para os que duvidaram, aí está o Tom Cruise fazendo as cenas de perigo sem dublês (o cara realmente escalou o Burj Khalifa) no auge dos seus quase 50 anos e convencendo até demais na pele de um espião de elite. Tá a fim de se divertir de verdade em um filme que não foi baseado em nenhum herói Marvel ou DC,  e que poderia ser usado como referência atual do que o cinema de ação deve ser feito? Não aguarde o dvd,  vá sentir o frio na barriga em escalar o prédio mais alto do mundo na tela grande junto com o Ethan Hunt.

Confira o trailer oficial legendado logo abaixo:

 

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Resenha - Música (Red Hot Chili Peppers - I'm With You)

Capa de I'm With You
     Já faz um bom tempo desde o lançamento de Stadium Arcadium, último álbum de inéditas do Red Hot Chili Peppers. O ano era 2006. A euforia em ouvir o então mais novo trabalho da banda era incontrolável, o que me fez garimpar por todas as 28 canções através do programa de compartilhamento Kazaa. Não foi uma tarefa fácil. Lembro-me de passar um final de semana inteiro baixando tudo a uma velocidade de conexão lenta demais pra ser mencionada. Porém, o preço de pegar aquele material furtado, salvar no meu mp3 player vermelho de 2GB (ainda tenho o danado aqui em algum lugar...) e ouvir no ônibus a caminho do estágio era indescritível. O baixo do Flea atravessava os meus ouvidos, a bateria genial de Chad Smith ditava minha pulsação, a voz e trejeitos do Anthony Kiedis me levavam pra um lugar seguro e a guitarra, ah ela, me fazia ter a certeza de que John Frusciante era a personificação do "guitar hero" dos novos tempos. Aquilo que eu ouvia não era um simples álbum, era uma obra definitiva, uma espécie de "greatest hits" só que com músicas inéditas. Logo pensei: "caramba, esse será o último álbum dos caras!". Veio a turnê, veio o anúncio do hiato e veio o maior baque: a saída de John (pela segunda vez). Logo pensei: "caramba, aquele foi o último álbum dos caras!".

     Felizmente eu estava errado. A banda não acabou. Muito longe disso (acho). Lançou mês passado o álbum de inéditas "I'm With You", fez um show ousado transmitido ao vivo em cinemas espalhados por todo o mundo e já iniciou a nova turnê, passando inclusive pelo glorioso Rock In Rio (que dessa vez foi no Rio de Janeiro de fato, que maravilha, não?). Mas todo mundo, estava curioso pra saber quais rumos a banda tomaria agora que o seu guitar hero estava fora da jogada. Aliás, a maior curiosidade era saber se o jovem Josh Klinghoffer, guitarrista substituto, iria segurar as pontas.
     Primeiramente é complicado entender a saída de John Frusciante. Ao que tudo indica a coisa foi amigável, mas fica claro que há algo no ar. As pausas enigmáticas em entrevistas quando o assunto é o ex-guitarrista mostram que não é fácil abrir mão de um verdadeiro talismã. Nas últimas décadas o cara têm sido o termômetro do sucesso da banda, participando daqueles que são considerados os melhores álbuns do quarteto. Daí o Flea vai estudar música erudita, a banda viaja pela África a procura de novos sons e o Anthony deixa crescer aquele bigode ridículo...parece ou não parece coisa de namorado sentido?

Anthony e seu bigode (vai virar tendência?)


Afinal, Josh Klinghoffer, você aguenta?

     Eu não queria estar na pele desse cara (ou queria). Na verdade, quem não gostaria de ser o guitarrista de uma banda como Red Hot Chili Peppers? O problema é ser esse guitarrista depois que o John Frusciante deixou o cargo. A responsabilidade é animalesca. Acontece que aparentemente não havia escolha mais acertada pra um substituto. Josh já fazia parte da banda, sendo o guitarrista base na última turnê e amigo do John. Uma amizade sólida, já que os dois chegaram a gravar álbuns juntos fora da banda. O rapaz se esforça, faz caras e bocas, mas a impressão é de que sua guitarra não tem voz. Ao vivo chegou a ser ridícula de tão baixa e sem expressão. Mas é evidente que a sua presença na banda gerou novos rumos. Levando os caras a incluírem em seu tempero elementos mais modernos, mais experimentais e que em alguns casos destoam bem do que foi apresentado nos álbuns anteriores e isso é bom, já que o Red Hot sempre foi marcado pela sonoridade eclética e inventiva.

     O novo álbum é sofisticado, com uso de coros e pianos para mostrar canções com pegada épica. O funk ainda está lá, em algum lugar escondido no meio do açúcar. Anthony mostra ótima forma. Chad e Flea levam o álbum nas costas, sendo este último bem menos impressionante que de costume. Josh apresenta uma guitarra em pleno desenvolvimento, ora bebendo da fonte Frusciante, ora experimentando demais, preferindo solos barulhentos, sujos e confusos a algo mais melódico e memorável. Sua voz bastante feminina causa estranheza nas primeiras audições. Seu caminho ainda é longo pra cair nas graças dos fãs mais ferrenhos (eu sou um deles) mas pelo menos no álbum o cara segurou bem, já nos shows...
     I'm With You supre a ansiedade dos fãs em ter material novo do Red Hot Chili Peppers e consegue entregar boas canções mesmo com a saída de um dos pilares da banda, o que já merece respeito. Há uma evidente melancolia escondida nos refrões, uma vontade de mostrar que está tudo bem nas canções mais alegres, e que há uma saída nas mais experientais. Red Hot Chili Peppers está passando por mais uma desilusão amorosa, quer mostrar que está tudo bem e precisa ouvir dos seus fãs um "I'm With You!".


Faixa a faixa


1. Monarchy Of Roses
Ué? Tem algo errado! Isso é Anthony Kiedis? Coloquei o álbum certo pra tocar? Essas foram as perguntas que fiz ao ouvir os primeiros momentos de Monarchy Of Roses. O começo com guitarra distorcida e a voz sintetizada de Anthony dão um susto nos fãs. Algo nos remete a One Hot Minute e sua pegada mais dark, mas pouco depois do susto vem o baixo pulsado de Flea com a batera do Chad bastante familiares e estamos num local seguro. Josh faz um bom trabalho de boas vindas aqui.


2. Factory Of Faith
Tesão puro ao ouvir a genial linha de baixo do Flea nesta ótima e altamente dançante canção. Pena que esses sejam um dos poucos momentos em que o Flea realmente mostra o seu valor. Josh joga aqui praticamente o tempo inteiro na posição de guitarra base, se atendo apenas a permear a canção sem ousar interferir na cozinha de Flea e Chad.


3. Brendan's Death Song
Empatia imediata nessa balada bem melancólica. Só peca em se repetir demais.


4. Ethiopia
EAOAEAE...ficará na sua cabeça! Primeiro grande momento do álbum. Os caras humilham mais uma vez em criar essa batida quebrada de fazer qualquer aspirante a músico desistir de seguir carreira. Quase podemos imaginar o John debulhando nesta canção que tem a cara das Jams intermináveis que ele fazia com o Flea. Senti falta do cara aqui.


5. Annie Want's A Baby
Opa!!! Coisa nova, hein? Embora o riff de guitarra no início mais uma vez nos remeta ao John, a estrutura e refrão mostram um caminho novo da banda. Uma de minhas preferidas. Muito bem vinda.


6. Look Around
Algo me diz que essa é uma grande candidata pra próximo single. Pancada legal. O tipo de canção que levanta a multidão e tem a marca registrada do Red Hot: cola na sua cabeça. Note no final o Josh e sua voz ganhando destaque num final bem previsível.


7. The Adventures Of Rain Dance Maggie
Essa foi a canção escolhida pra ser o primeiro single do álbum e que você pode conferir o clipe lá embaixo. Escolher a canção que divulgará um álbum não deve ser uma tarefa fácil, mas vamos ver se essa daí cumpriu o seu papel: temos um baixo muito bem marcado pelo mestre Flea, uma bela apresentação do novo guitarrista que consegue mostrar um pouco de personalidade ao mesmo tempo que relembra a pegada do John e pra coroar ainda há um refrão desgraçado de chiclete. Acho que deu, né?


8. Did I Let You Know
Ir até a África e buscar novos ritmos teria que render algo assim, não? Se bem que bastava ouvir alguma música do Calypso (saravá) pra chegar num resultado parecido. Did I Let You Know é uma daquelas pérolas que o Red Hot entrega de tempos em tempos. Tomara que vire single e ganhe um clipe à altura. Destaques pro curioso solo de Josh (que por sinal está ótimo nesta canção), o trompete do Flea e a voz feminina no coro. Ah, não é voz de mulher, é do Josh! hehe


9. Goodbye Hooray
Uau!!! Quebrou tudo. Música urgente, com um refrão que é impossível não cantar junto. Grandes chances de levar ao delírio ao vivo. Só tem um pecado! Embora o solo de baixo seja animal, o Josh bem que podia calar a boca de um monte de gente fazendo um solo de guitarra potente aqui, não? Oportunidade perdida.


10. Hapiness Loves Company
Da mesma forma que a viajem à África gerou Did I Let You Know, as aulas de música erudita de Flea tinham de gerar algo assim. Como se não bastasse o cara debulhar o baixo de forma humilhante ainda inventa de atacar de pianista aqui. Desgraçado talentoso.A pegada épica remete às loucuras musicais que o Daniel Johns do Silverchair têm produzido ultimamente.


11. Police Station
Bela. Comovente. Ponto altíssimo do álbum. Josh numa atuação contida e adequada. Tenho de tirar o chapéu pro cara que ainda faz um belo trabalho nos vocais. Os momentos com o piano arrepia. Novos rumos do Red Hot. Amadurecimento evidente. O que um chute na bunda não faz...Vale a compra do álbum.


12. Even You Brutus
Uau de novo! Coisa nova de novo! Música urgente de novo! Épica! Anthony e seu vocal hip hop característico dos primórdios. Josh em mais uma ótima atuação e um dos refrões mais marcantes e surpreendentes do álbum. Só seu final não faz jus à canção que termina de forma abrupta e sem criatividade.


13. Meet Me At The Corner
Algumas músicas do Red Hot Chili Peppers simplesmente poderiam ficar tocando em looping o dia inteiro que eu não me importaria. Hard To Concentrate, Road Trippin', Hey e If são alguns exemplos de canções que esses caras fazem com esse poder sobrenatural sobre a minha pessoa. Compartilham entre si uma sonoridade calmante e hipnotizante. Meet Me At The Corner acaba de entrar nessa lista. O interlúdio com Josh nos vocais parece ter saído de algum álbum do MGMT, tamanha é a semelhança. Por mim fecharia o álbum com maestria justo com a guitarra do Josh dando os primeiros sinais de independência e personalidade.


14. Dance, Dance, Dance
Mais uma vez achei ter colocado o álbum errado pra tocar. Achei que era alguma música do Kings Of Leon. Semelhança gritante. Demora um pouco a engrenar. Na minha opinião poderia ter acabado com Meet  Me At The Corner.

Clipe de The Adventures Of Rain Dance Maggie




Site oficial da banda:
http://redhotchilipeppers.com/

sábado, 1 de outubro de 2011

Resenha - Cinema (Amizade Colorida)

Pôster gringo de Amizade Colorida
     De tempos em tempos é possível presenciar algumas coincidências curiosas em Hollywood. Filmes com o mesmo tema são lançados numa mesma temporada. Me lembro de um caso emblemático quando fui assistir Velocidade Máxima 2 (Speed 2: Cruise Control, 1997), que se passa num navio desgovernado com gente em pânico à deriva e água por todo lado pra logo em seguida começar a ouvir falar de um outro filme sobre um navio gigantesco que bate num iceberg e...já sabe, né? Não sei se há uma pesquisa de opinião ou se é um mero fenômeno da indústria cinematográfica, mas isso ocorreu novamente. No início do ano tivemos Sexo Sem Compromisso, (No Strings Attached, 2011), estrelado por Natalie Portman e Ashton Kutcher, contando a história de um casal de amigos que resolve fazer sexo sem compromisso (ah vá, é mesmo?) pra alguns meses depois estrear nos cinemas Amizade Colorida (Friends With Benefits, 2011), com Mila Kunis, Justin Timberlake e a mesma sinopse. Não precisa ser muito exigente pra perceber que tudo aquilo que falta em Sexo Sem Compromisso tem de sobra em Amizade Colorida. Há um casal com uma baita química, tiradas realmente engraçadas e acima de tudo, uma comédia romântica que procura não se levar tanto a sério.
     Dylan (Timberlake) é um talentoso web designer que recebe uma proposta pra trabalhar em Nova Iorque na GQ. Jamie (Kunis) é uma espécie de caça talentos, responsável por fazer o lobby entre Dylan e a empresa, além de tentar convencer o rapaz a sair da Califórnia pra aceitar o promissor trabalho. A partir dos inusitados encontros entre os dois surge uma amizade. Como cada um deles saiu de um relacionamento conturbado e não pretende se envolver emocionalmente com ninguém, aparece a brilhante ideia da tal amizade colorida em meio a garrafas vazias de cerveja. Sexo livre, sem o peso de um relacionamento? Que maravilha, não? Mas não é bem assim, isso aqui ainda é uma comédia romântica e como tal você já deve imaginar o final.

Jamie (Mila Kunis) e Dylan (Justin Timberlake) tendo uma brilhante idéia 
     Mesmo com as divertidas tiradas que visam criticar as comédias românticas, como a divertida cena em que Dylan descreve a forma que os músicos compõem as trilhas sonoras do gênero, não havia como o filme se vender sem um típico desenrolar de comédia romântica. Todos os ingredientes estão lá,  mas o trabalho do elenco, muito bem escolhido, torna a experiência leve e extremamente divertida. Temos Woody Harrelson, interpretando Tommy, o colega gay de Dylan,  Patrícia Clarkson, dando vida à Lorna, mãe maluca de Jamie e Richard Jenkins, em ótima atuação na pele de Mr. Harper, pai de Dylan. O destaque maior fica por conta da química absurda entre Mila Kunis e Justin Timberlake (este último surpreende, parecendo encontrar aqui o caminho certo pra uma atuação decente). As cenas de sexo entre os dois me causaram dor no abdome de tanto rir.
     Pode ir sem medo ao cinema conferir Amizade Colorida. A diversão está mais do que garantida. E estejam avisados sobre a grande chance da música "Closing Time" do Semisonic ficar na sua cabeça por um bom tempo.
     

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Resenha - Música (Eddie Vedder - Ukulele Songs)

Capa de Ukulele Songs - consegue imaginar um lugar
 mais calmo e/ou solitário pra se compor?
     Eddie Vedder é o cara. Qual músico em boas condições mentais ousaria gravar um álbum com apenas um instrumento? Ok, não é algo tão impossível ou inédito assim, mas imagine usar um Ukulele pra ser o protagonista da coisa toda. 
     Ukulele é uma espécie de violão pequenino de quatro cordas parecido com o nosso cavaquinho, mas com um som característico que nos remete ao Havaii. Não por acaso é mais conhecido como guitarra havaiana. E pra quem ainda não juntou o nome à pessoa, Eddie Vedder é o vocalista e principal compositor de uma bandinha que completou 20 anos de estrada. Uma tal de Pearl Jam, conhece? Bom, se você não conhece tenho uma certa pena de você, mas este novo trabalho é uma boa oportunidade de conhecer uma das vozes mais marcantes do cenário musical das últimas décadas.
     Ukulele Songs, segundo álbum solo de Eddie (o primeiro foi o imperdível "Into The Wild" em 2008)parece sintetizar a palavra intimista de maneira definitiva. Para os não iniciados ou aqueles que são fãs fervorosos das performances raivosas do Pearl Jam, a proposta pode levar ao sono. O que é bastante compreensível, já que temos um álbum de 16 canções tocadas num ukulele e interpretadas por um Eddie Vedder sem vergonha alguma de ser melacueca, porém, se você ficou curioso pra saber o que o cabeludo  aprontou com o seu novo brinquedinho musical, prepare-se pra uma grata surpresa.

Eddie Vedder e seu brinquedinho musical

     O álbum começa com "Can't Keep", canção já conhecida do Pearl Jam em versão "ukulelelística" e que você confere abaixo num belo clipe. A seguir a bolacha engrena com "Sleeping By Myself", de melodia impressionantemente carismática. "Without You", "More Than You Know", "Goodbye" e "Broken Heart" são verdadeiros achados, sendo as duas últimas legados diretos do álbum anterior. "Satelite", minha preferida, conta com uma belísima vocalização de Vedder e um refrão altamente marcante. Logo após somos presenteados com uma pérola chamada "Longing To Belong", canção que toca fundo o coração até daqueles mais brutos. O clipe dela, que está logo abaixo, é belíssimo. Após tanta emoção ouvimos um Vedder xingando ao errar uma nota de seu inusitado instrumento musical. Os 8 segundos compôem uma minúscula faixa do álbum que ganha o brilhante título de "Hey Fahkah". A seguir temos a continuação de "Longing To Belong" em "You're True", interpretada com paixão despudorada (Eddie casou-se recentemente no Havaii, isso explica muita coisa, não?). Embalados pelo som do mar temos a quase mantra "Light Today" e em seguida um baita dueto com Glen Hansard no cover "Sleepless Nights". "Once In A While" quase passa despercebida junto com a micro canção instrumental "Waving Palms" que servem de ponte pra mais um cover e outro belo dueto, dessa vez com a cantora Cat Power em "Tonight You Belong To Me" (mais uma com refrão que gruda bonito). Como se já não bastasse a enorme proeza de conseguir ser versátil apenas utilizando a voz (se bem que é a voz de Eddie Vedder, né?) e um instrumento tão peculiar, o cara ainda tira uma onda fazendo um cover pra lá de inusitado de "Dream A Little Dream", canção dos anos 30 regravada por diversos artistas e que aqui ganha a roupagem praiana de um Eddie Vedder apaixonado.
    Ukulele Songs só ressalta a inesgotável criatividade desse lobo chamado Eddie Vedder que após 20 anos de estrada parece não estar nem mesmo perto de perder o fôlego.
     Minha sugestão? Vá atrás dessa bolacha e deixe-a salva permanentemente na sua playlist. Eddie Vedder limpará sua mente nos momentos mais difíceis como esse daqui.





domingo, 24 de julho de 2011

Resenha - Música (Incubus - If Not Now, When?)

Capa do novo trabalho do Incubus
     Que honra é poder usar este espaço pra falar de uma das bandas que mais curto neste planeta. Sendo assim terei um trabalho danado pra deixar o tendenciosismo de lado.
     Sinto vergonha em adimitir que fui pego de surpresa. Embora eu seja um grande fã do Incubus, amarguei ao perceber que um monte de gente já escutava as canções do novo álbum. Após dar uma fuçada na comunidade da banda no Orkut (desculpa aí Facebook mas as comunidades do Orkut são imbatíveis) não contive a cara de perdedor ao ver que já haviam meia dúzia de tópicos com impressões sobre o tão aguardado novo álbum, intitulado "If Not Now, When?". Saí correndo atrás das novas músicas a fim de ter aquela sensação única que é ouvir-um-novo-álbum-de-uma-banda-preferida-pela-primeira-vez. Tá aí uma coisa indescritível e quase sexual! Poderia até prosseguir a resenha citando as similaridades entre a audição de um álbum de inéditas da sua banda preferida e a primeira transa com a pessoa que você ama, mas enfim...voltemos à música.


     Eufórico como sempre, a vontade que tive ao ouvir os primeiros acordes do álbum era de já correr pra cá e tecer a minha resenha. Mas aconteceu aquela coisa chata. Broxei. Essa foi a sensação da primeira audição do "If Not Now, When?". De cara pensei logo, esse é um daqueles álbuns que precisamos digerir, ouvir várias vezes até que a coisa flua. Mas não era pra ser assim, ainda mais em se tratando de Incubus. Até hoje esses caras nunca precisaram da minha boa vontade. Seus álbuns sempre começaram estourando os meus ouvidos com canções potentes e impactantes. O recado era dado: "você está ouvindo Incubus, fio". Em "If Not Now, When?, acontece o contrário. Eles te botam pra dormir. E falarei disso de forma mais detalhada lá embaixo no faixa a faixa. Ouvi, ouvi e ouvi o álbum repetidas vezes. No momento estou bem acostumado com as canções e estou curtindo pra caramba esse novo trabalho. Mas ainda estou digerindo essa proposta mais calma, quase (eu disse quase) sombria que o álbum permeia. A minha conclusão é que o Incubus (ainda) é uma das melhores bandas da atualidade. O vocal de Brandon Boyd sempre foi e continua sendo inacreditável. E assim como outros grandes nomes, essa é mais uma daquelas bandas que se dá o luxo de só ser comparada a si mesma. 


Da esqueda para a direita: Mike Einziger(guitarra),
Jose Pasillas(bateria), Ben Kenney(baixo), Brandon Boyd(vocal)
e Chris Kilmore(DJ e faz tudo)
     Agora se é pra resumir a minha impressão sobre o novo álbum lá vai:: "If Not Now, When?" é bom sim e provavelmente tocará no som do meu carro em looping até alguém me xingar, mas definitivamente este seria um dos últimos álbuns que emprestaria a um amigo que nunca ouviu falar em Incubus na vida. Pra uma situação como essa tenho o Morning View, o Make Yourself e o S.C.I.E.N.C.E.

Segue agora o faixa a faixa tradicional do blog:




01. If Not Now, When?
E a espera acabou. Após quase 6 anos sem nos brindar com um álbum novo aqui está aquela que abre a bolacha de mesmo nome. If Not Now, When? parece ser uma daquelas peças que o Incubus prega. Quando a ouvi fiquei imaginando que a qualquer momento o clima soturno e a batida pop pulsada iria dar espaço a algum riff fantástico de guitarra distorcida com uma bateria explosiva como ocorreu no trabalho anterior que iniciava com Quicksand e depois culminava com Kiss To Send Us Off (agora posso chamar o Light Grenades de "tempos bons"), mas não é o que ocorre. A cada volta para o estrofe me sentia traído. Testemunhei a canção acabar tal qual começou: Lenta e arrastada. É o anúncio de como as coisas seguirão daqui pra frente.

02. Promisses, Promisses
Ainda ávido por uma explosão fui mais uma vez levado ao chão. Mas dessa vez a coisa é muito mais interessante. Uma levada contagiante. Ótima linha de baixo e efeitos de teclado apurados. Logo pensei: hit de rádio. Pra completar os caras fizeram um clipe que arrepia tanto pela simplicidade quanto pela genialidade da coisa. (Clica lá embaixo pra conferir). Tem coisa melhor pra se ouvir no carro com a gata?

03. Friends And Lovers
A essa altura já não tinha mais nenhuma esperança de ouvir um pouco do bom e velho Incubus, ainda mais com esse nome aí. Resultado: Friends And Lovers é cult, segue a mesma linha arrastada, mas me conquistou pelo riff. Grudou na minha mente. O seu final com a bateria se sobressaindo só exalta ainda mais essa veia cult.Ainda com a gata no banco de trás do carro...

04. Thieves
Opa. Acho que ouvi uma guitarra! Thieves começa a nos levar pra perto de um lugar seguro. Começo a sentir que estou realmente ouvindo um cd do Incubus (ou pelo menos do Incubus que fez o Light Grenades). Riff de guitarra legal, linha de baixo genial e as primeiras nuances da batera do Jose Pasillas, (totalmente acanhado até o momento).

05. Isadore
Essa bateria estourada com um violão ditando o passo me lembrou o trabalho solo do Brandon Boyd que certamente inspirou esse novo cd do Incubus. Embora a introdução nos prepare pra um refrão matador, somos apresentados a algo bem mais manso, mas mesmo assim Isadore tem uma estrutura infalível e deve ser ouvida alto.

06. The Original
Ah. Sem palavras. Sei que talvez pouca gente concorde, mas The Original na minha opinião é um dos pontos fortes do álbum. Essa balada de início descompromissado e açucarada num tom quase inaceitável tem uma estrutura simplesmente brilhante. É engraçado que a guitarra nervosa que eu esperava ansioso tenha aparecido aqui. Arrepia.

07. Defiance
Bela canção bem ao estilo Mexico com apenas voz e violão. Brandon mostra que está em plena forma. Mesmo assim a canção parece deslocada no álbum o que o deixa ainda mais estranho.

08. In The Company Of Wolves
Pegou pesado, hein? Quase 8 minutos de puro arrasto? Concordo que toda grande banda em algum momento de sua carreira produz a sua ópera rock, com medleys fundindo várias músicas numa só. Ótimo instrumental, não nego. Mas é preciso um pouco de paciência e muito auto-controle pra não passar pra próxima canção.

09. Switchblade
Depois de tanta enrolação aparece algo pesado. Mas não ajudou muito. Switchblade fica tão deslocada quanto Defiance e ainda consegue ter a sua parcela de "arrasto" característico desse álbum. Tá mais pra sobra de estúdio.

10. Adolescents
Agora sim. Era disso que eu estava falando! Adolescents finalmente me levou pra perto do Incubus que eu conheço. E não por acaso foi escolhida como primeiro single que gerou o belo clipe que você confere lá embaixo (em volume alto, faz favor). Tá longe de ser o melhor single do incubus, mas a essa altura Adolescents acaba sendo um verdadeiro alívio e me fez pensar: os caras ainda sabem fazer a parada.

11. Tomorrow's Food
Já acabou? Sacanagem, hein? Então Adolescents era mesmo o ápice? PQP. Tomorrow's Food me conquistou pelas ótimas vocalizações e o clima que me remeteu à Aqueous Transmition. Mas encerra o cd com um gosto bem estranho. Lá vamos nós ouvir, ouvir e ouvir pra "digerir". Não esperava isso do Incubus, mas fazer o quê?
P.S.: Alguém percebeu que o final dessa música é tocado numa outra frequencia (a la Edit Piaf na trilha do filme A Origem - Inception, 2010) no início de If Not Now, When? Criando uma espécie de ciclo no álbum? Estaria Brandon e sua turma fazendo uso das mensagens subliminares para nos induzir a ouvir a sua estranha nova obra sem parar? hehehe




Site oficial da banda: http://www.enjoyincubus.com/