sábado, 1 de outubro de 2011

Resenha - Cinema (Amizade Colorida)

Pôster gringo de Amizade Colorida
     De tempos em tempos é possível presenciar algumas coincidências curiosas em Hollywood. Filmes com o mesmo tema são lançados numa mesma temporada. Me lembro de um caso emblemático quando fui assistir Velocidade Máxima 2 (Speed 2: Cruise Control, 1997), que se passa num navio desgovernado com gente em pânico à deriva e água por todo lado pra logo em seguida começar a ouvir falar de um outro filme sobre um navio gigantesco que bate num iceberg e...já sabe, né? Não sei se há uma pesquisa de opinião ou se é um mero fenômeno da indústria cinematográfica, mas isso ocorreu novamente. No início do ano tivemos Sexo Sem Compromisso, (No Strings Attached, 2011), estrelado por Natalie Portman e Ashton Kutcher, contando a história de um casal de amigos que resolve fazer sexo sem compromisso (ah vá, é mesmo?) pra alguns meses depois estrear nos cinemas Amizade Colorida (Friends With Benefits, 2011), com Mila Kunis, Justin Timberlake e a mesma sinopse. Não precisa ser muito exigente pra perceber que tudo aquilo que falta em Sexo Sem Compromisso tem de sobra em Amizade Colorida. Há um casal com uma baita química, tiradas realmente engraçadas e acima de tudo, uma comédia romântica que procura não se levar tanto a sério.
     Dylan (Timberlake) é um talentoso web designer que recebe uma proposta pra trabalhar em Nova Iorque na GQ. Jamie (Kunis) é uma espécie de caça talentos, responsável por fazer o lobby entre Dylan e a empresa, além de tentar convencer o rapaz a sair da Califórnia pra aceitar o promissor trabalho. A partir dos inusitados encontros entre os dois surge uma amizade. Como cada um deles saiu de um relacionamento conturbado e não pretende se envolver emocionalmente com ninguém, aparece a brilhante ideia da tal amizade colorida em meio a garrafas vazias de cerveja. Sexo livre, sem o peso de um relacionamento? Que maravilha, não? Mas não é bem assim, isso aqui ainda é uma comédia romântica e como tal você já deve imaginar o final.

Jamie (Mila Kunis) e Dylan (Justin Timberlake) tendo uma brilhante idéia 
     Mesmo com as divertidas tiradas que visam criticar as comédias românticas, como a divertida cena em que Dylan descreve a forma que os músicos compõem as trilhas sonoras do gênero, não havia como o filme se vender sem um típico desenrolar de comédia romântica. Todos os ingredientes estão lá,  mas o trabalho do elenco, muito bem escolhido, torna a experiência leve e extremamente divertida. Temos Woody Harrelson, interpretando Tommy, o colega gay de Dylan,  Patrícia Clarkson, dando vida à Lorna, mãe maluca de Jamie e Richard Jenkins, em ótima atuação na pele de Mr. Harper, pai de Dylan. O destaque maior fica por conta da química absurda entre Mila Kunis e Justin Timberlake (este último surpreende, parecendo encontrar aqui o caminho certo pra uma atuação decente). As cenas de sexo entre os dois me causaram dor no abdome de tanto rir.
     Pode ir sem medo ao cinema conferir Amizade Colorida. A diversão está mais do que garantida. E estejam avisados sobre a grande chance da música "Closing Time" do Semisonic ficar na sua cabeça por um bom tempo.
     

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

Resenha - Música (Eddie Vedder - Ukulele Songs)

Capa de Ukulele Songs - consegue imaginar um lugar
 mais calmo e/ou solitário pra se compor?
     Eddie Vedder é o cara. Qual músico em boas condições mentais ousaria gravar um álbum com apenas um instrumento? Ok, não é algo tão impossível ou inédito assim, mas imagine usar um Ukulele pra ser o protagonista da coisa toda. 
     Ukulele é uma espécie de violão pequenino de quatro cordas parecido com o nosso cavaquinho, mas com um som característico que nos remete ao Havaii. Não por acaso é mais conhecido como guitarra havaiana. E pra quem ainda não juntou o nome à pessoa, Eddie Vedder é o vocalista e principal compositor de uma bandinha que completou 20 anos de estrada. Uma tal de Pearl Jam, conhece? Bom, se você não conhece tenho uma certa pena de você, mas este novo trabalho é uma boa oportunidade de conhecer uma das vozes mais marcantes do cenário musical das últimas décadas.
     Ukulele Songs, segundo álbum solo de Eddie (o primeiro foi o imperdível "Into The Wild" em 2008)parece sintetizar a palavra intimista de maneira definitiva. Para os não iniciados ou aqueles que são fãs fervorosos das performances raivosas do Pearl Jam, a proposta pode levar ao sono. O que é bastante compreensível, já que temos um álbum de 16 canções tocadas num ukulele e interpretadas por um Eddie Vedder sem vergonha alguma de ser melacueca, porém, se você ficou curioso pra saber o que o cabeludo  aprontou com o seu novo brinquedinho musical, prepare-se pra uma grata surpresa.

Eddie Vedder e seu brinquedinho musical

     O álbum começa com "Can't Keep", canção já conhecida do Pearl Jam em versão "ukulelelística" e que você confere abaixo num belo clipe. A seguir a bolacha engrena com "Sleeping By Myself", de melodia impressionantemente carismática. "Without You", "More Than You Know", "Goodbye" e "Broken Heart" são verdadeiros achados, sendo as duas últimas legados diretos do álbum anterior. "Satelite", minha preferida, conta com uma belísima vocalização de Vedder e um refrão altamente marcante. Logo após somos presenteados com uma pérola chamada "Longing To Belong", canção que toca fundo o coração até daqueles mais brutos. O clipe dela, que está logo abaixo, é belíssimo. Após tanta emoção ouvimos um Vedder xingando ao errar uma nota de seu inusitado instrumento musical. Os 8 segundos compôem uma minúscula faixa do álbum que ganha o brilhante título de "Hey Fahkah". A seguir temos a continuação de "Longing To Belong" em "You're True", interpretada com paixão despudorada (Eddie casou-se recentemente no Havaii, isso explica muita coisa, não?). Embalados pelo som do mar temos a quase mantra "Light Today" e em seguida um baita dueto com Glen Hansard no cover "Sleepless Nights". "Once In A While" quase passa despercebida junto com a micro canção instrumental "Waving Palms" que servem de ponte pra mais um cover e outro belo dueto, dessa vez com a cantora Cat Power em "Tonight You Belong To Me" (mais uma com refrão que gruda bonito). Como se já não bastasse a enorme proeza de conseguir ser versátil apenas utilizando a voz (se bem que é a voz de Eddie Vedder, né?) e um instrumento tão peculiar, o cara ainda tira uma onda fazendo um cover pra lá de inusitado de "Dream A Little Dream", canção dos anos 30 regravada por diversos artistas e que aqui ganha a roupagem praiana de um Eddie Vedder apaixonado.
    Ukulele Songs só ressalta a inesgotável criatividade desse lobo chamado Eddie Vedder que após 20 anos de estrada parece não estar nem mesmo perto de perder o fôlego.
     Minha sugestão? Vá atrás dessa bolacha e deixe-a salva permanentemente na sua playlist. Eddie Vedder limpará sua mente nos momentos mais difíceis como esse daqui.





domingo, 24 de julho de 2011

Resenha - Música (Incubus - If Not Now, When?)

Capa do novo trabalho do Incubus
     Que honra é poder usar este espaço pra falar de uma das bandas que mais curto neste planeta. Sendo assim terei um trabalho danado pra deixar o tendenciosismo de lado.
     Sinto vergonha em adimitir que fui pego de surpresa. Embora eu seja um grande fã do Incubus, amarguei ao perceber que um monte de gente já escutava as canções do novo álbum. Após dar uma fuçada na comunidade da banda no Orkut (desculpa aí Facebook mas as comunidades do Orkut são imbatíveis) não contive a cara de perdedor ao ver que já haviam meia dúzia de tópicos com impressões sobre o tão aguardado novo álbum, intitulado "If Not Now, When?". Saí correndo atrás das novas músicas a fim de ter aquela sensação única que é ouvir-um-novo-álbum-de-uma-banda-preferida-pela-primeira-vez. Tá aí uma coisa indescritível e quase sexual! Poderia até prosseguir a resenha citando as similaridades entre a audição de um álbum de inéditas da sua banda preferida e a primeira transa com a pessoa que você ama, mas enfim...voltemos à música.


     Eufórico como sempre, a vontade que tive ao ouvir os primeiros acordes do álbum era de já correr pra cá e tecer a minha resenha. Mas aconteceu aquela coisa chata. Broxei. Essa foi a sensação da primeira audição do "If Not Now, When?". De cara pensei logo, esse é um daqueles álbuns que precisamos digerir, ouvir várias vezes até que a coisa flua. Mas não era pra ser assim, ainda mais em se tratando de Incubus. Até hoje esses caras nunca precisaram da minha boa vontade. Seus álbuns sempre começaram estourando os meus ouvidos com canções potentes e impactantes. O recado era dado: "você está ouvindo Incubus, fio". Em "If Not Now, When?, acontece o contrário. Eles te botam pra dormir. E falarei disso de forma mais detalhada lá embaixo no faixa a faixa. Ouvi, ouvi e ouvi o álbum repetidas vezes. No momento estou bem acostumado com as canções e estou curtindo pra caramba esse novo trabalho. Mas ainda estou digerindo essa proposta mais calma, quase (eu disse quase) sombria que o álbum permeia. A minha conclusão é que o Incubus (ainda) é uma das melhores bandas da atualidade. O vocal de Brandon Boyd sempre foi e continua sendo inacreditável. E assim como outros grandes nomes, essa é mais uma daquelas bandas que se dá o luxo de só ser comparada a si mesma. 


Da esqueda para a direita: Mike Einziger(guitarra),
Jose Pasillas(bateria), Ben Kenney(baixo), Brandon Boyd(vocal)
e Chris Kilmore(DJ e faz tudo)
     Agora se é pra resumir a minha impressão sobre o novo álbum lá vai:: "If Not Now, When?" é bom sim e provavelmente tocará no som do meu carro em looping até alguém me xingar, mas definitivamente este seria um dos últimos álbuns que emprestaria a um amigo que nunca ouviu falar em Incubus na vida. Pra uma situação como essa tenho o Morning View, o Make Yourself e o S.C.I.E.N.C.E.

Segue agora o faixa a faixa tradicional do blog:




01. If Not Now, When?
E a espera acabou. Após quase 6 anos sem nos brindar com um álbum novo aqui está aquela que abre a bolacha de mesmo nome. If Not Now, When? parece ser uma daquelas peças que o Incubus prega. Quando a ouvi fiquei imaginando que a qualquer momento o clima soturno e a batida pop pulsada iria dar espaço a algum riff fantástico de guitarra distorcida com uma bateria explosiva como ocorreu no trabalho anterior que iniciava com Quicksand e depois culminava com Kiss To Send Us Off (agora posso chamar o Light Grenades de "tempos bons"), mas não é o que ocorre. A cada volta para o estrofe me sentia traído. Testemunhei a canção acabar tal qual começou: Lenta e arrastada. É o anúncio de como as coisas seguirão daqui pra frente.

02. Promisses, Promisses
Ainda ávido por uma explosão fui mais uma vez levado ao chão. Mas dessa vez a coisa é muito mais interessante. Uma levada contagiante. Ótima linha de baixo e efeitos de teclado apurados. Logo pensei: hit de rádio. Pra completar os caras fizeram um clipe que arrepia tanto pela simplicidade quanto pela genialidade da coisa. (Clica lá embaixo pra conferir). Tem coisa melhor pra se ouvir no carro com a gata?

03. Friends And Lovers
A essa altura já não tinha mais nenhuma esperança de ouvir um pouco do bom e velho Incubus, ainda mais com esse nome aí. Resultado: Friends And Lovers é cult, segue a mesma linha arrastada, mas me conquistou pelo riff. Grudou na minha mente. O seu final com a bateria se sobressaindo só exalta ainda mais essa veia cult.Ainda com a gata no banco de trás do carro...

04. Thieves
Opa. Acho que ouvi uma guitarra! Thieves começa a nos levar pra perto de um lugar seguro. Começo a sentir que estou realmente ouvindo um cd do Incubus (ou pelo menos do Incubus que fez o Light Grenades). Riff de guitarra legal, linha de baixo genial e as primeiras nuances da batera do Jose Pasillas, (totalmente acanhado até o momento).

05. Isadore
Essa bateria estourada com um violão ditando o passo me lembrou o trabalho solo do Brandon Boyd que certamente inspirou esse novo cd do Incubus. Embora a introdução nos prepare pra um refrão matador, somos apresentados a algo bem mais manso, mas mesmo assim Isadore tem uma estrutura infalível e deve ser ouvida alto.

06. The Original
Ah. Sem palavras. Sei que talvez pouca gente concorde, mas The Original na minha opinião é um dos pontos fortes do álbum. Essa balada de início descompromissado e açucarada num tom quase inaceitável tem uma estrutura simplesmente brilhante. É engraçado que a guitarra nervosa que eu esperava ansioso tenha aparecido aqui. Arrepia.

07. Defiance
Bela canção bem ao estilo Mexico com apenas voz e violão. Brandon mostra que está em plena forma. Mesmo assim a canção parece deslocada no álbum o que o deixa ainda mais estranho.

08. In The Company Of Wolves
Pegou pesado, hein? Quase 8 minutos de puro arrasto? Concordo que toda grande banda em algum momento de sua carreira produz a sua ópera rock, com medleys fundindo várias músicas numa só. Ótimo instrumental, não nego. Mas é preciso um pouco de paciência e muito auto-controle pra não passar pra próxima canção.

09. Switchblade
Depois de tanta enrolação aparece algo pesado. Mas não ajudou muito. Switchblade fica tão deslocada quanto Defiance e ainda consegue ter a sua parcela de "arrasto" característico desse álbum. Tá mais pra sobra de estúdio.

10. Adolescents
Agora sim. Era disso que eu estava falando! Adolescents finalmente me levou pra perto do Incubus que eu conheço. E não por acaso foi escolhida como primeiro single que gerou o belo clipe que você confere lá embaixo (em volume alto, faz favor). Tá longe de ser o melhor single do incubus, mas a essa altura Adolescents acaba sendo um verdadeiro alívio e me fez pensar: os caras ainda sabem fazer a parada.

11. Tomorrow's Food
Já acabou? Sacanagem, hein? Então Adolescents era mesmo o ápice? PQP. Tomorrow's Food me conquistou pelas ótimas vocalizações e o clima que me remeteu à Aqueous Transmition. Mas encerra o cd com um gosto bem estranho. Lá vamos nós ouvir, ouvir e ouvir pra "digerir". Não esperava isso do Incubus, mas fazer o quê?
P.S.: Alguém percebeu que o final dessa música é tocado numa outra frequencia (a la Edit Piaf na trilha do filme A Origem - Inception, 2010) no início de If Not Now, When? Criando uma espécie de ciclo no álbum? Estaria Brandon e sua turma fazendo uso das mensagens subliminares para nos induzir a ouvir a sua estranha nova obra sem parar? hehehe




Site oficial da banda: http://www.enjoyincubus.com/

terça-feira, 31 de maio de 2011

Eu em HD!



     Já faz alguns meses que venho exercitando o meu lado escritor ao compartilhar com o resto do mundo (por que não?) os posts que tratam sobre um pouco de música, um pouco de cinema e um pouco do resto. Fiquei muito surpreso com o relativo sucesso do blog e isso me encoraja cada vez mais a contar novos casos, tecer resenhas musicais e até compartilhar episódios que colocaram minha vida em risco!

     A partir deste post pretendo mostrar também um pouco das minhas atividades artísticas por assim dizer, ou trocando em míúdos: "atividades que tendem a ficar em segundo plano por não render 1 real sequer". Quem me conhece sabe que sou um apaixonado por desenho e música. Faço as duas coisas desde muito cedo e tenho um acervo extenso de ilustrações e músicas autorais. Após comprar o meu primeiro violão, comecei a gravar algumas delas utilizando programas de edição rudimentares. Fiz o meu primeiro "álbum" dessa forma, com o título de "Individual". Foram 10 músicas autorais na base da voz e violão sobrepostos no tal programa de edição rudimentar. Esta primeira experiência rendeu um vídeo da canção "Can Cry Now" (Deus, como deu trabalho fazer aquilo) que visava unir essas duas paixões que citei, o desenho e a música.


     Com o tal vídeo conheci pessoas e fiz ótimas amizades inclusive a do grande Paulo Carvalho, músico de mão cheia nas horas vagas e que passou a ser um parceiro musical e co-fundador da nossa banda/projeto Riffex. O processo de gravação de qualquer música do Riffex é algo tão louco e igualmente interessante que com certeza terá um post dedicado a ele.

     Enfim, chegamos a atualidade. Estou gravando mais um álbum aos moldes do primeiro, com toda a parafernalha rudimentar. Como de costume fui apresentar ao Paulo uma das canções inéditas. No meio da bagunça resolvi posar de "gatinho" e servir de cobaia para as experiências cinematográficas do bicho com a sua nova câmera filmadora. As chances do vídeo ir parar no youtube não eram tão grandes assim, mas...ahhhhh...o tal do HD!!! Quem resiste a ele? A imagem é tão bela, tem uma textura tão espetacular que não me importei nem um pouco em dar a cara a tapa (afinal, seria a minha cara, mas em HD, fio!).
   
  Sem mais, eis a versão demo de "Fight For Me", nova canção autoral que fará parte desse meu novo trabalho a se chamar "One Step Back" em High Definition!!!



sábado, 21 de maio de 2011

Chery QQ - Vi, gostei e quero um!

     A essa altura do campeonato todo mundo já deve saber que a Chery é uma montadora de automóveis chinesa que está apostando suas fichas no mercado brasileiro (e que deve esconder algum plano macabro de dominação mundial). Acredito também que todos já tenham visto o comercial do simpático QQ, o carro de entrada da marca que ousa por entregar um monte de acessórios de série por um preço absurdamente justo (R$ 23.990 com frete incluso). 
     Desde meados do ano passado que venho sondando a tal concessionária de cor vermelho berrante aqui da minha cidade. Foram olhadelas constantes à bordo do meu bólido envenenado (leia-se Mille 1.0) até que finalmente resolvi parar a caranga e conhecer os carros de perto. Na ocasião havia lá os modelos Tiggo e Face. Ambos muito interessantes. Foi quando o vendedor me falou do tal QQ que estava pra vir e revolucionar o mercado. Fiquei meio descrente com a história e resolvi entrar na internet à procura de informações mais precisas sobre o tal carrinho. Fui pego de jeito pela cara do danado! Aquele sorriso e olhos espertos do QQ me desconcertaram. Fiquei muito, mas muito curioso para conhecê-lo. Pareceu-me boa pessoa. Fui me informando cada vez mais e alimentando uma curiosidade e expectativa sem tamanho que finalmente chegou ao fim. Sim, tive meu primeiro contato com o QQ e a primeira impressão foi ótima! Ele realmente parece ser boa gente!

A carinha feliz do Chery QQ

Vendedor estressado

Passei pela concessionária e mesmo sem ver o QQ entre os carros do salão resolvi entrar para apresentar a loja a um amigo. Fomos muito mal recebidos. Andamos por entre os carros, abrimos as portas, entramos e depois de alguns minutos de vácuo total aproxima-se um vendedor com uma cara triste e cansada. Será que alguém avisou que ele está vendendo carros e não urnas funerárias? Cadê o sorriso no rosto que o QQ estampa tão gentilmente? As perguntas eram feitas por mim e as respostas do vendedor eram sempre ríspidas e quase monossilábicas. Após os rápidos minutos de diálogo fiquei sabendo o preço final e a espera de pelo menos 70 dias pra ter o carro nas mãos, além da informação de que o QQ estaria no Show Room na próxima semana para apreciação pública.

A traseira que lembra a do antigo Corsa é bem mais aceitável pessoalmente

Todo faceiro, ele olhou pra mim

Após tanta simpatia do vendedor (hum), fomos em direção ao meu carro e demos o fora dali, porém ao fazer a volta por trás do edifício acabei passando pela área de oficina da loja e pelo rabo do olho notei algo a me olhar. Era o QQ! Reduzi e disse para o meu amigo: ele já tá aqui! Meu amigo sem entender muito bem respondeu: ele quem? Estacionei e fui em direção à oficina e pra minha surpresa era verdade. Lá estava um QQ, sendo lavado e aspirado para ser entregue a mais um dono. Fiquei deveras chateado pelo fato do vendedor não informar, percebendo o meu interesse, que havia um exemplar do QQ na parte de trás da loja e um representante da Chery devidamente trajado (e com um verdadeiro sorriso de vendedor) disposto a tirar todas as minhas dúvidas.


Não tem sensor de ré? Como assim?

Tentarei ser breve: Ar condicionado, direção hidráulica, freio ABS, air bag, 4 portas, vidros elétricos (em todas as 4 portas), painel digital, som com entrada de cartão SD e USB, ajuste elétrico dos faróis e retrovisores, iluminação interna do porta malas, motor 1.1 litro, farol de neblina, limpador traseiro e mais alguns ítens que eu devo estar esquecendo fazem parte do conjunto de acessórios DE SÉRIE do QQ que ainda conta com garantia de 3 anos. Senti falta do sensor de ré que havia sido anunciado em publicações especializadas que contava com aviso sonoro e visual através de um display fixado na parte de trás do carro que refletia para o espelho retrovisor mostrando os centímetros em relação ao obstáculo. Ao questionar sobre a falta do tal acessório, fui interrompido por uma cliente que disse: pra que sensor de ré? Ele é tão pequenino! Concordo, mas eu esperava parar um dia de fazer a piadinha recorrente de assobiar imitando um sensor de ré cada vez que estivesse manobrando o meu Mille numa vaga apertada.

Painel digital! Pode?

É Ching Ling?

É inevitável não lembrar de alguns produtos também chineses que estão aí comprovando a um bom tempo a cultura de: múltiplas funções + preço baixo + fragilidade. Não dá pra colocar as mãos no fogo com os carros da Chery, mas esse receio deve ser justificado pela novidade da marca e sua natural aceitação que deve ser conquistada por testes e mais testes e não por puro preconceito. Os chineses parecem realmente estar nos trilhos e se esforçando para garantir um grau alto de satisfação de seus novos clientes e a cada lançamento a qualidade de seus carros parecem chegar num patamar já distante de seus concorrentes "locais". Vide inclusive o bastante interessante J3 da também chinesa montadora JAC. Toda essa concorrência tende a mudar a postura das grandes montadoras locais para começar a oferecer mais ítens de qualidade em seus carros e principalmente mostrar um preço que realmente seja "popular". Todos nós tendemos a ganhar ou você ainda quer cair na conversa de que encosto de cabeça em banco traseiro é acessório opcional?

Interior do QQ em cores claras

Quero um!

Fiquei realmente surpreso e tive boa parte das minhas expectativas alcançadas com esse primeiro e breve encontro. O compacto é realmente compacto e o seu porta malas é mínimo. A traseira não faz uma comunicação muito harmônica com a dianteira, mas é bem mais aceitável do que nas fotos. As rodas são pequenas e o jeito que arrumaram de embelezá-las foi bem brasileiro. Procure ver como ficou! (hehe). Ainda há muito o que se provar. Diz a lenda que ele faz 18 km/litro. Alguém já confirma? E a suspensão? Os chineses se lembraram da nossa buraqueira? Deixemos isso para um segundo encontro. Mas pelo menos até o momento esse carrinho já me pegou de jeito.

P.S.: Ei Chery! Me ajuda aí! Posso fazer um jingle pro QQ, ou ser um garoto propaganda do "carro sorriso". Mas também serve se vocês me derem um pra que eu faça um diário de bordo de uns...vamos ver...5 anos, ok? :D

ATUALIZADO: Atenção para o preço praticado nas concessionárias. O valor do QQ é sugerido pela Chery por R$ 22.990,00. Qualquer valor acima disso deve ser negociado e possivelmente resultado de ágio.

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Resenha - Cinema (Velozes e Furiosos 5 - Operação Rio)



Vin Diesel e Dwayne "The Rock" Johnson.
 Galerinha tá abusando do Monster Extreme Black, hein?

      Essa vida atribulada. Essa correria desenfreada. Esse sentimento de urgência. Tudo isso e mais alguns fatores nos levam a medir com menos rigor a qualidade de tudo o que nos é apresentado como "arte". A prova mais concreta de que vivemos tempos difíceis no que diz respeito à criatividade dos chamados "artistas", é quando pegamos aquela música ou filme que metemos o pau há uns 3 ou 4 anos atrás e hoje acabamos elevando-os ao status de obra prima quando comparados aos materiais recentes.
    
     Sendo assim, após assistir ao "Velozes e Furiosos 5 - Operação Rio" (Fast Five, 2011) acho que já posso me acostumar com a idéia de que Vin Diesel e Dwayne Johnson (The Rock para os desinformados) são os Sylvester Stallone e Arnold Schwarzenegger dessa era,
    
     Quando vi o primeiro Velozes e Furiosos (The Fast and The Furious, 2001)  me lembro de ter curtido bastante. Os carros, o ambiente ilegal dos rachas, a música, as mulheres, as tomadas impossíveis dentro de cilindros e afins, tudo era bem interessante. Mas sempre houve uma coisa que nunca me descia: o filme é um plágio sem vergonha do clássico "Caçadores de Emoção" (Point Break, 1991). Mas tudo bem, não adiantava me espernear. O sucesso era fato e todo mundo curtia aquele universo. As inevitáveis (e péssimas) continuações surgiram, confirmando a minha teoria do primeiro parágrafo. Foram as continuações de Velozes e Furiosos que fizeram do primeiro filme uma obra de arte. Mas felizmente com esse atual Velozes temos uma grata surpresa.

Caçadores de Emoção - Troque as pranchas de surf
por bólidos envenenados e terá o primeiro
 Velozes e Furiosos
     Velozes e Furiosos 5 apresenta muitos problemas. O maior deles deve ser percebido principalmente por nós brasileiros. A falta de comprometimento do filme em retratar a cidade do Rio de Janeiro com o mínimo de fidelidade causa até revolta. Há uma cena na favela que corta pra um trem num deserto. Onde será isso? A pergunta é respondida se você olhar pra uma logo do mapa do Brasil estampada nas poltronas do tal trem. Pois é meu camarada. Há um deserto no Rio. Nesse momento ou você se faz de doido e curte o filme ou sai do cinema, porque isso é só o começo. Como optei pela primeira opção, logo estava envolvido pelas cenas impossíveis e esboçando um sorrisão no rosto. O rumo que o filme tomou acabou me agradando bastante. Tá tudo lá. Os carros, o ambiente ilegal dos rachas, as mulheres, mas todos em segundo plano. O mote do filme gira em torno de um assalto ao estilo "Onze Homens e Um Segredo" que na minha opinião levou a história pra um patamar bem mais envolvente e até inteligente (leia "inteligente" no contexto Velozes e Furiosos de ser). A grande quantidade de personagens, coisa que acaba atrapalhando em alguns filmes, acabou sendo muito bem explorada. Todos tem seus momentos de glória. Contribuindo de alguma forma para o andamento do roteiro. E lógico, tem o ponto mais "cool" da película que é o duelo entre os dois brutamontes da atualidade. Vin Diesel melhorando na sua atuação, ficando cada vez mais carismático e o Dwayne "The Rock" Johnson com o seu carisma nato quebrando tudo da melhor maneira que sabe fazer. A inevitável briga entre os dois é de primeira e até nos dá um certo aperitivo daquilo que seria um confronto entre os já citados Stallone e Arnold.


Toda a gangue reunida!

     Se você está de bom humor e quer ir ao cinema ver um filme eletrizante que te fará sorrir de orelha a orelha com tudo aquilo que o cinema brucutu pode oferecer, vai fundo, ou melhor, pisa fundo, Velozes e Furiosos 5 é diversão mais do que garantida!

À propósito, não custa ficar mais um pouco na sala e ver a cena extra após os créditos. A espera vale a pena.


sexta-feira, 29 de abril de 2011

Paula Fernandes e o seu "reconhecimento nacional"

     Não vou começar o texto de forma previsível contando que já conhecia a Paula Fernandes antes do seu merecido "reconhecimento nacional". Na verdade a sua voz já me era bastante familiar, pois mesmo sem assistir às famigeradas novelas da rede Globo, é inevitável não ouvir "por tabela" os temas que embalam seus personagens. E essa cantora mineira já teve suas canções em pelo menos 3 folhetins globais. Sendo assim, sou parte da grande parcela que só conheceu a dona da voz recentemente. E ao ver que a dona da voz é uma garota (ela só tem 26 anos) tão bela fisicamente, fico refletindo sobre o que é necessário pra se fazer sucesso por aqui. A detentora de uma das vozes mais impressionantes do cenário musical da atualidade finalmente só obteve o tal reconhecimento após sua aparição no programa de final de ano do Roberto Carlos. Que coisa hein? Sou obrigado a concordar com um comentário de um internauta no Youtube que disse que se ela tivesse nascido em outro país já seria "diva".
     Não sou um fã do estilão "country" que ela segue - já se deram ao trabalho de inaugurar uma nova modalidade pra encaixá-la, o tal do "pop rural" (como se já não bastasse o "sertanejo universitário") - mas é impossível não admirar o seu talento. Paula Fernandes tem uma voz segura, adulta, de diva mesmo. Quando ela canta, além de passar uma espantosa segurança (não se enganem, ela já tem mais de 10 anos de carreira) ela o faz com naturalidade. Sua face não se desfigura, sua expressão é de calmaria e vez ou outra a desgraçada nos brinda com o seu belíssimo sorriso. É uma covardia sem tamanho. Assim como alguns craques da bola fazem com o futebol, Paula Fernandes é o tipo de cantora que faz parecer que cantar é algo fácil. Sua voz extremamente natural vai lhe dar uma carreira longa. Não há excessos por aqui. Ela não precisa exagerar como os candidatos do "Ídolos" que abusam da "pirotecnia vocal".  Ela faz a sua parte e é exata. Encanta, arrepia e finalmente apaixona.
     Que o Brasil abra seus ouvidos e dêem espaço pra essa verdadeira cantora. Que ela estoure de ponta a ponta e consolide sua já longa carreira ganhando também o mundo. Essa sim tem chances indiscutíveis de fazer um baita sucesso lá fora.
     Por fim te convido a assistir uma recente entrevista que ela deu no Programa do Jô e te desafio a não se arrepiar com o cover de "Dust In The Wind" que ela fez no final. Para os mais afoitos é só adiantar para os 13:30 do vídeo e conferir a preciosidade. Enfim, não tenho mais palavras.